ACIAT...

UMA HISTÓRIA COM MUITAS HISTÓRIAS...

A Associação Comercial é a mais antiga entidade de representação civil da história do país. Seu início remota do Império.

Pouco mais  de um ano depois da assinatura da Carta Régia, o Príncipe Regente Dom João VI assinou, no dia 15 de julho de 1809, o alvará que deu aos comerciantes da cidade do Rio de Janeiro a permissão para a instalação de uma associação que reunisse os homens do comércio. Essa primeira organização cresceu junto com o fortalecimento da economia brasileira e a expansão das relações comerciais com o resto do mundo. Desse crescimento, nasceu a Associação Comercial do Rio de Janeiro, fundada oficialmente em 13 de maio de 1820.

Quase 120 anos depois, era fundada, aqui na cidade, aos quatro dias do mês de novembro de 1937, a Associação Comercial e Agrícola de Teresópolis.

O Brasil estava passando por mais um período político conturbado e os comerciantes e agricultores necessitavam de uma entidade que os representasse e defendesse as taxações abusivas dos serviços públicos e de concessionárias, que promovesse as reivindicações necessárias e contribuísse para tentar sanar outros problemas enfrentados pela comunidade e visasse o desenvolvimento de Teresópolis.

Naquele ano, quando se aguardavam as eleições presidenciais marcadas para janeiro do ano seguinte, foi denunciada pelo Governo a existência de um suposto plano comunista para a tomada do poder. Este plano ficou conhecido como plano Cohen, mas depois se descobriu que ele não passava de uma trama para causar instabilidade política e o receio de novas revoluções comunistas e seus seguidos estados de sítios, para que o então Presidente da República, Getúlio Vargas, pudesse dar um golpe de estado e instaurar uma ditadura através de um pronunciamento de rádio.

O novo regime político determinou o fechamento do Congresso Nacional e extinção dos partidos políticos. Vargas outorgou uma nova constituição, que lhe conferia o controle total do poder executivo e lhe permitia nomear interventores nos estados, aos quais o Presidente deu ampla autonomia na tomada das decisões.

Aqui na cidade, Olegário da Silva Bernardes (Irmão do ex-presidente da República, Arthur Bernardes) renuncia ao cargo de Prefeito e Adelino de Souza Pinheiro é indicado e nomeado Prefeito Interventor. Estamos no ano de 1938.

A população urbana, que em 1908 era pouco mais de 1.600 habitantes, já ultrapassava a casa dos 15 mil em 1938. Se somado aos habitantes da zona rural este número superava o índice de 29 mil munícipes. Em 30 anos a cidade passava de lugarejo de roça a 4ª Cidade do Estado, ao mesmo tempo em que a renda municipal subia de 8 contos em 1908 para 1.700 contos em 38. A vida na cidade girava em torno do turismo/veraneio, da agricultura e de algumas indústrias que já se instalavam no município. O desenvolvimento da cidade era galopante e se faziam necessárias ações para nortear o futuro. A palavra “Industrial” é incorporada ao nome da Associação que passa a partir de então e, até hoje, a carregá-la, transformando-se na Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Teresópolis (ACIAT).

Já neste tempo, a voz das classes coligadas a essa entidade se fazia ouvir e ela clamava por uma estrada de rodagem que auxiliasse no transporte de cargas vindas da capital. A ACIAT cria então, no intuito de unir os comerciantes, ações de aperfeiçoamento muito positivas e que dão à classe uma visão mais moderna nas relações humanas. São realizadas palestras onde os associados trocam experiências isoladas e discutem soluções para os problemas do conjunto.

A força dessa união é rapidamente coroada. Com a inauguração – pelo Presidente Getúlio Vargas – da Estrada de Rodagem Teresópolis-Itaipava, a urbanização da Avenida Feliciano Sodré – principal via de ligação entre a Várzea e o bairro do Alto- e a inauguração do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, os três pilares (turismo-agricultura-industria) da economia teresopolitana é alavancado. É o progresso se aproximando à passos largos.


DESENVOLVIMENTO E A SEGUNDA GRANDE GUERRA


No dia 1º de Setembro de 1939 tem início a Segunda Guerra Mundial.

Com o desenvolvimento da cidade o fornecimento de energia elétrica ficava cada vez mais deficiente. O comércio e a indústria sofriam inúmeros prejuízos com a escassez e o racionamento diário e prolongado.

Se à época a ACIAT se preocupava com o parco fornecimento de energia elétrica no município, os efeitos da Guerra vieram inquietar ainda mais a instituição. O momento exigia adequações e a ACIAT, com propósito de manter seus associados atualizados e numa marcha avançada de todos os movimentos, cria ações de apoio imediato ao mesmo tempo em que propõe novas frentes de trabalho.
Intencionada em resguardar o patrimônio florestal do município, a ACIAT procura o Interventor Federal, diretor do departamento de Municipalidades, para dar início aos estudos e projetos de água e esgoto para a cidade. É neste mesmo período que a agricultura vive um processo de declínio pelo dilema das vendas. Existem apenas dois caminhos: ou vender na feira a um intermediário, que por sua vez passará a um terceiro, ou vender em consignação para os barraqueiros no Rio de Janeiro. A cotação dos produtos agrícolas é muito flutuante e não dá ao produtor a estabilidade necessária. No campo ele está sozinho, isolado e desprotegido, mas dentro da associação ele se sente fortalecido pelo apoio da classe, que busca em São Paulo e nos órgãos competentes do Ministério da Agricultura, orientações sobre o crescente movimento cooperativista. A ACIAT parte para ações de disseminação sobre das vantagens das cooperativas e o fortalecimento do setor agro-pecuário com este advento.

Com a continuidade da Guerra, diversos movimentos são criados com objetivo de ajudar o grupo dos países aliados. A ACIAT indica ao Prefeito Interventor – Lauro Antunes Paes de Andrade – a grande necessidade de um vigoroso movimento na cidade, para a arrecadação de metais. É criado então pela Associação o “Movimento Pró-Avião”. A campanha teve grande êxito e culminou com uma arrecadação em ferro, aço e outros metais, suficiente para a aquisição de um avião.

A população continua a crescer a cada ano. Muitos estrangeiros, fugindo dos horrores da guerra, escolhem Teresópolis para fixarem residências. Os bairros começam a se definir e os problemas a aumentar.

A força da ACIAT cresce diretamente proporcional ao desenvolvimento da cidade e a Associação é vista por muitos como um poder paralelo ao Poder público. É a entidade que, inclusive, indica ao Juizado de Direito da Cidade os nomes daqueles que poderão fazer parte do corpo de jurados da comarca. Sua credibilidade é notória e indiscutível.

O comércio vive momento de fragilidade com o surgimento da revenda informal que deixa rastros de prejuízos aos comerciantes estabelecidos. Habitualmente, são realizadas em praças públicas leilões de mercadorias. Findar co este tipo de negociação é mais uma das conquistas da entidade.

A Guerra se arrasta e o racionamento aumenta. A população sofre ainda mais os seus efeitos. Há escassez de alimentos, medicamentos e gasolina, o que dificulta ainda mais o transporte dos produtos agrícolas para fora da cidade. Torna-se urgente a criação de um Mercado Municipal, mas o Poder Público se omite ao fato e o problema dos produtores rurais vai se avolumando. A Associação começa então uma grande campanha forçando a Administração Municipal a tomar as medidas necessárias para a implantação do projeto.

O mundo ainda convive com os horrores dos campos de concentração, com a violência dos ataques às cidades e à sua gente, e testemunha, perplexo, a força destrutiva da bomba atômica. Mas Hitler não resiste à união e bravura dos soldados aliados e, seis anos após ter iniciado o mais violento massacre, recua findando a Segunda Guerra Mundial.

Um misto de grande alívio e total incerteza do futuro toma conta do mercado financeiro das cidades. Em Teresópolis não é diferente, mas a ACIAT mantém acesa em seus associados a chama da esperança de dias melhores.

Esses dias não tardam a chegar. A guerra terminou e o período de ditadura do regime do Estado Novo também. Getúlio Vargas é deposto e o país mergulha na Nova República. Há o restabelecimento do Congresso, das Assembléias Estaduais, das Câmaras Municipais e das eleições para prefeitos. O cenário político ganha novos personagens e as entidades de classe mais força.
É preciso dar ao associados incentivos para que continuem imbuídos da vontade de prosperar. Para isso, a ACIAT realiza, em 1947, a Primeira Exposição Agrícola e Industrial de Teresópolis. Durante o evento são proferidas palestras sobre assuntos relacionados ao mercado, discutidas novas formas de produção e venda e são premiados os melhores produtos obtidos no setor.


A SAÚDE NO MUNICÍPIO...

Servindo-se de sua eficácia e tenacidade junto ao Poder Executivo e da falta de estrutura na saúde pública, um novo movimento ganha força nas reuniões da entidade: nasce, ainda em 1946, uma campanha para a abertura de um hospital municipal frutifica e tem ramificações. Começam a surgir as primeiras idéias de se construir outro hospital, mas dessa vez sem a interferência política. É criada, dentro da ACIAT, a Associação do Hospital São José. As reuniões foram todas realizadas na sede da ACIAT e da diretoria da AHSJ constavam importantes membros da Associação madrinha, cada qual dando inestimável contribuição e entusiasmo. Dentre os membros que figuravam nas duas Associações estava José Joaquim de Araújo Regadas.


TELEFONE E LUZ, DOIS GRANDES PROBLEMAS...

A Companhia Telefônica Brasileira (CTB) tem equipamentos obsoletos e danificados, oferecendo assim um serviço de péssima qualidade aos teresopolitanos. Ao todo são 150 aparelhos espalhados na cidade e este número é insuficiente, demasiadamente aquém das expectativas do crescimento advindo com a realidade industrial diversa da época. Era uma aceleração promissora na área industrial do município.

A batalha contra o caos telefônico se estendeu durante anos. Em 1950, a CTB moderniza seu serviço. São instaladas na cidade equipamentos automáticos com capacidade inicial de mil terminais, podendo esse número ser duplicado no ano seguinte. Mas somente me 1972 o sistema é substituído pela automatização completa e a TELERJ (nova designação da CTB) instala a sua torre de rádio e microondas na Colina dos Mirantes, que passa a ser uma nova atração turística e representa um marco no progresso da cidade.
Em 1946, como forma de homenagear um setor em franca expansão e de vital importância nos serviços de telecomunicações, a ACIAT realiza o Primeiro baile das Telefonistas. Este evento passa a fazer parte do calendário de eventos da Associação e foi realizado no decorrer de vários anos vindouros.

Já era 1955 quando o Prefeito José Carvalho Jannoti empreende as obras de reforma da Usina Amaral Peixoto (responsável pela geração de energia elétrica para a cidade) e construção de uma usina termelétrica no bairro dos Agriões. Em 1961 a ACIAT volta a lutar pela melhoria do fornecimento de energia elétrica, considerado, na época, mais deficiente a cada dia e consegue. Em 63, a transferência da subestação para o bairro de Fonte Santa e a iluminação pública de ruas e praças. A cidade ganha novo brilho.


A ESTRADA DIRETA E O PROGRESSO...


A linha férrea e a estrada de rodagem que liga Teresópolis a Itaipava já não eram mais suficientes para atender às necessidades de Teresópolis. Urge que seja construída uma estrada de rodagem direta, ligando Teresópolis ao Rio de Janeiro. As discussões sobre este assunto são freqüentes na ACIAT e entre seus membros, mas não há por parte do Governo Federal nenhum movimento em direção à solução deste problema. É criada então, dentro da entidade, a “Sociedade dos Amigos de Teresópolis”. O grupo dá início a uma poderosa campanha e compõe o capital inicial necessário para iniciar as obras de construção da rodovia que, mais tarde, seria redenção da cidade. Em face aos esforços empenhados por parte dos membros da sociedade civil, o Presidente da República – Eurico Gaspar Dutra – assinou a Lei nº 489 que abria, pelo Ministério da Viação e Obras Públicas, um crédito especial para atender as despesas da construção de duas rodovias entre Alcindo Guanabara e Teresópolis e os trechos que ligam Niterói-Friburgo.

Mais uma vez, porém, a lentidão acompanha a lentidão das obras e, em 1951 a Diretoria da ACIAT se reúne com o Presidente da República no intento de que os trabalhos fossem concluídos. Dois anos mais tarde o exército manifesta interesse em dar continuidade ao projeto e a ACIAT, mais uma vez, deixa claro à população a sua força e empenho no progresso da cidade. As obras do Trecho que faz a ligação das duas cidades são concluídas e inauguradas em 1º de agosto de 1959, pelo Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades e de centenas de pessoas curiosas em ver, do Alto do Soberbo, o avanço da civilização moderna que ora se apresentava submisso ao imponente Dedo de Deus.

Com a inauguração da estrada direta e o aperfeiçoamento dos transportes de passageiros e cargas, o sucesso da cidade era iminente e se fazia perceber na satisfação dos viajantes, turistas, e veranistas que aqui buscavam gozar da natureza exuberante, privilégio da cidade considerada “Jóia do Brasil”.


NOVOS RUMOS NA HISTÓRIA


A década de 60 chegava trazendo promessas de modernização para todos os setores. É preciso, porém, profissionalizar e aperfeiçoar a mão de obra local. Faz-se mister a abertura de escolas de aprendizagem na cidade. Imbuída dessa nova realidade a diretoria da ACIAT busca os primeiros contatos e realiza reuniões para trazer núcleos do SENAI e do SENAC para a cidade. É hora de dar aos menores condições de aprenderem novas profissões e de dar a cidade oportunidades de mais desenvolvimento.

Entretanto, em março de 64 os discursos são silenciados pela notícia de um Golpe de Estado que precedia o Regime Militar.
Instaura-se, novamente, no país um longo período de ditadura e, mais uma vez o comércio precisa se adequar à nova realidade político-administrativa.

O racionamento volta a assombrar a população e algumas entidades são responsabilizadas pela distribuição e controle de alguns gêneros de primeira necessidade. Em 1964, a ACIAT fica responsável pela distribuição e controle do açúcar, sendo a Associação responsável por não deixar que o produto falte no mercado de Teresópolis. É criada a Superitendência Nacional do Abastecimento (SUNAB), a lei de intervenção no domínio econômico e a lei dos preços mínimos.

Os comerciantes chegam a beira de verdadeiros colapsos nervosos, pois não entendem as leis e sabem que a desobediência às mesmas pode resultar em prisão, condenação e cumprimento de pena variante entre 6 meses e 2 anos.

A ACIAT, como entidade representativa da classe vê-se na obrigação de , não só compreender o que está acontecendo, como também de buscar recursos jurídicos para melhor poder assessorar seus congregados.

Ao mesmo tempo em que as ações fiscais são cada vez mais intensas, cresce a insegurança dos comerciantes que ficam sujeitos às arbitrariedade de tal fiscalização. Não há uma regra e existem várias exceções e permeações. Para proteger seus membros a entidade cria um departamento jurídico, dando, inclusive, assistência aos contadores de seus associados, que em muitos casos não sabiam como atuar nas escritas dos clientes.

Como em muitos momentos, a ACIAT foi a voz do povo, cresce vertiginosamente a procura pela Associação. O número de sócios aumenta consideravelmente e as ações jurídicas também.

A atuação da entidade junto a SUNAB se dá de forma ilibada e a ACIAT passa a receber membros da SUNAB em suas reuniões ordinárias. Mas dessa vez o objetivo da Superintendência não é fiscalizar e sim contribuir com a Associação para dirimir as dúvidas de seus associados.

Paralelo ao serviço jurídico, as atividades da ACIAT continuaram a ser desenvolvidas. Ora com mais intensidade, ora resguardando as incertezas peculiares àquele regime de governo.

Durante muitos anos as atividades classistas foram proibidas de serem realizadas. Não eram permitidas reuniões e as mesmas só poderiam acontecer com a permissão do delegado. Mas   reuniões  da ACIAT foram mantidas.

Com o surto demográfico e habitacional, o comércio se dilatou, mas o recente avanço industrial dá um caráter mais definido à atividade comercial, emancipada de uma sujeição completa aos visitantes e turistas. Tornando assim, o comércio de Teresópolis constante e dirigido para as necessidades municipalistas. Aproveitando-se desse momento, no intuito de promover mais união entre os comerciantes, a ACIAT promove cursos de aperfeiçoamento para a classe, versados nos mais diferentes aspectos da administração comercial. Os comerciantes têm oportunidades de ouvir e dialogar com especialistas em finanças, relações humanas, promoções de vendas e demais especificações que a modernidade impõe.

A associação se interessa por tudo que possa beneficiar os associados e essa relação acaba por fim favorecendo toda a cidade. Embora estejamos falando de um período crítico, a ditadura de certa forma beneficiou Teresópolis através de alguns militares e simpatizantes do regime imposto, que tinham casas de veraneio na cidade. Nomes como General Ernesto Geisel, Mario Henrique Simonsen, Almirante Heleno Nunes e Almirante Faria Lima, trouxeram grandes obras para Teresópolis. A melhoria no sistema de telefonia, luta continuada da ACIAT se fez de forma mais eficaz e a cidade foi brindada com a eliminação da tarifação de DDD; aconteceu também a duplicação da estrada Rio- Teresópolis (no trecho até Raiz da Serra), a construção da estrada que liga Teresópolis a Friburgo, a criação da rodoviária e as melhorias no sistema de abastecimento de água e luz. Foi o Governo dos “milagres brasileiros”.


TERESÓPOLIS "CIDADE DOS FESTIVAIS"...


E, em meio a tantos conflitos e incertezas, Teresópolis ganha por alguns anos o que foi durante alguns anos o seu mote turístico. Chega à cidade o Festival do Cinema Brasileiro e junto com ele dezenas de artistas, diretores, produtores e dinheiro novo para a cidade. A ACIAT é convidada então a fazer parte da comissão que irá organizar tão importante evento. Em 1971, por Decreto Estadual, Teresópolis viria a receber o título de “Cidade dos Festivais”.

Era preciso divulgar mais as ações da ACIAT e criar um mecanismo para que todos os associados pudessem ter acesso facilitado às informações sobre as deliberações do Governo, bem como prestar esclarecimentos jurídicos à classe. Nasce, em 65, o primeiro boletim informativo da entidade.

Neste mesmo ano, a entidade cria um grupo de trabalho para a construção de uma nova delegacia de política, investe na campanha para a implantação do Corpo de Bombeiros em Teresópolis e começa a angariar fundos para a compra de material de combate ao incêndio, numa tentativa de salvaguardar o município em casos de sinistros, antes que a ajuda de cidades vizinhas chegue.
Mas as aspirações de 64, quando os comerciantes se preparam para as vendas natalinas, o governo dá ao setor um “presente de grego”: extingue a fração de cruzeiro denominada centavo, obrigando que todos os preços fossem  reajustados, infelizmente para o comerciante, sempre para a casa decimal mais baixa. Era a primeira alteração monetária desde o início da ditadura militar. Já no ano seguinte, ocorre outra mudança, desta vez de denominação. E até que aquele sistema de governo seja extinto mais duas alterações monetárias são estabelecidas.

Muito já se falava e discutia na Associação sobre a necessidade da criação de uma Instituição voltada ao ensino superior. Era necessário que Teresópolis pudesse graduar seus alunos, que desse aos estudantes locais a chance de um diploma e, portanto, de melhoria nas condições de vida da população. Foi em 1966, através do Decreto 02/66 sancionado pelo Prefeito Flávio Bertoluzzi, que a ACIAT vê seu intento florescer. É criada da Fundação Educacional Serra dos Órgãos.

O presidente da República, Emílio Garrastazu Médice, decreta o Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5) e os brasileiros ficam proibidos de se reunir nas ruas, as conversas de esquinas são reprimidas com violência, as manifestações  de qualquer ordem são banidas. Para a Associação é um momento de extrema delicadeza, pois não há como deixar de apoiar os seus associados e de dar a eles o auxílio necessário. O Governo Federal toma par si todos os poderes executivos e legislativos e começa a decretar prisões para “averiguações”, sem que, necessariamente, o acusado fosse responsável por qualquer ato criminoso ou político.
Na década de setenta mais de 500 associados já fazem parte da entidade. A força da Associação não está contida apenas nos serviços oferecidos e nem em resolver problemas comuns à coletividade, mas principalmente em buscar, junto às esferas políticas, soluções para o “todo”. São intensificados os movimentos educacionais através de cursos e palestras. A classe associada passa a perceber a grande necessidade de atualização e aperfeiçoamento.

A ACIAT realiza na cidade o I Encontro das Associações Comerciais de todo o Estado e a repercussão desse acontecimento foi de efeito duradouro e muito positivo para os associados e para a sociedade de forma geral.

Durante muitos anos o Banco Agrícola de Cantagalo foi o único estabelecimento de crédito de Teresópolis (mais tarde ele foi absorvido pelo BANERJ) com, com o desenvolvimento da cidade, sete agências bancárias já estão em franco incremento. O crescimento é simultâneo ao panorama econômico e o peso das indústrias traz salários altos para a cidade, consequentemente, aumenta o poder de consumo.

As instituições financeiras já sentem impacto industrial da Sudantex em suas operações, mas é preciso ampliar a rede. A ACIAT investe em empreitada para trazer para o município uma agência do Banco do Brasil e, mais uma vez, vê seu objetivo alcançado.
Outra investida de alcance social foi a criação do Conselho Municipal de Urbanismo. As praças e jardins da cidade ganhariam, a partir de então, projetos específicos e permanentes.

Devido ao grande desenvolvimento econômico e social do município a TELERJ inaugura a ampliação e modernização da central telefônica de Teresópolis e a construção e instalação de um moderno sistema de telefonia. Uma luta árdua da ACIAT que durou décadas.

Apesar de muitos esforços e de grandes batalhas vencidas, a ACIAT não tinha recursos suficientes para investir em suas ações. Para tudo se fazia necessário contar com uma colaboração extra dos associados, o que, não rara às vezes, impediu a realização de diversos projetos. O número de associados era grande, mas em sua maioria era composto por comerciantes de pequeno porte.
O crescimento da dívida externa, aliada a alta dos juros internacionais, agregadas à alta dos preços do petróleo, somaram-se e desequilibraram o balanço de pagamentos brasileiro. Consequentemente, houve o aumento da inflação e da dívida interna. Dessa forma, o crescimento econômico que era baseado no endividamento externo, começou a ficar cada vez mais caro para a Nação brasileira, mas apesar dos sinais de crise, o ciclo de expansão econômica iniciado em meados de 70 não foi interrompido. Os incentivos à projetos e programas oficiais permaneceram, as grandes obras continuaram alimentadas pelo crescimento do endividamento.
Com a crise econômica veio a crise política, nas fábricas, comércio e repartições públicas o povo começou um lento e gradual descontentamento. Iniciou-se uma crise silenciosa onde todos reclamavam do governo (em voz baixa) e de suas atitudes. Apesar da censura e das manipulações executadas pala máquina estatal numa tentativa de manter o moral da população, a onda de descontentamento crescia inclusive dentro dos quadros das próprias Forças Armadas, pois os militares de baixo escalão sentiam na mesa de suas casas a alta da inflação.

Esta década terminava sem deixar saudades, pelo menos não muita. Já se ensaiava, desde 75, os primeiros passos para a redemocratização do País. Mas esta abertura se daria de forma lenta, gradual e segura (aos olhos dos militares). Em novembro de 1980 é restabelecida as eleições diretas estaduais e municipais e o povo demonstra o quanto está insatisfeito com om regime militar.
Modernizando a história

Embora as ações da ACIAT fossem sempre de vanguarda, a sua estrutura física ainda guardava a mesma austeridade da época da fundação. Aos olhos de quem chegava à Associação o ambiente parecia arcaico e sombrio e o ar exalava o cheiro do passado. Têm início as mudanças físicas e estruturais na gestão do biênio 80/82. Com novas idéias e o antigo ideal de uma cidade melhor, a ACIAT se lança na modernização da sua sede e  na informação dos serviços para que, a partir dessa reativação, possa difundir novos horizontes entre os associados e sociedade como um todo. É o começo de uma nova era.

Um dos pilares da economia da cidade ameaça ruir. O turismo já não é explorado como antese, aos poucos, os veranistas começam a buscar outros ares. É preciso que se faça algo para reverter este quadro. A ACIAT patrocina então um guia turístico da cidade e mapas das ruas e pontos de maior visitação. A rede hoteleira, com acomodações de luxo e opções de lazer variado recebe grande num erro de hóspedes, mas estes preferem não sair dos domínios. Faz-se urgente e necessária uma mudança estrutural. As bases do turismo precisam ser revistas e os erros sanados. É hora de um a ação pragmática. A entidade cria o Conselho Empresarial de Turismo e Hotelaria de Teresópolis. Posteriormente também é instituído na cidade o Conselho Municipal de Segurança. O prefeito acolheu a idéia e referendou o Conselho como órgão de interesse do município.

Todavia, o principal fator de atração turística é a própria natureza e é por ela que se precisa zelar. A instituição solicita a Secretaria de Meio Ambiente do Ministério do Interior a criação   de áreas de proteção ambiental (APA) no município de Teresópolis, proibindo o loteamento de terras à margem direita da Estrada Rio-Bahia e indica os órgãos federais competentes a grande necessidade de solucionar o grave problemas de enchentes. A ACIAT encaminha à SERLA (Superintendência Estadual de Riso e Lagoas) um projeto de obras no “corte da barra” e Cascata do Imbuí.

Receber o turista implica também em ações pontuais, como a abertura dos postos de gasolina aos domingos. Mais uma vitória da ACIAT.

Era a década das “magias”. Mas só depois de terminado esse período é que pudemos entender o que esse adjetivo significou para a economia brasileira, afinal, nada se resolve com passes de mágica.     

A inflação galopante dá para alguns a falsa idéia de lucro rápido e o País precisa estabilizar sua moeda. Em fevereiro de 1986 o Governo Federal instituiu o “Plano Cruzado”. A moeda mais uma vez troca de nome e, mais uma vez, os preços e salários são congelados. E como não poderia ser diferente a ACIAT volta a resguardar seus associados contra as medidas punitivas se arbitrárias da fiscalização da SUNAB.

Junto com a Federação das Associações Comerciais a ACIAT luta para cancelar a revogação da Lei das microempresas, uma grande conquista que veio para simplificar a burocracia e reduzir a carga tributária para os micros empresários. Trazer a Junta Comercial para dentro da Associação também foi uma outra boa causa que justificaria dezenas de reuniões e contínuas solicitações ao Governo.Além dessas conquistas a ACIAT ainda consegue trazer para a cidade, mais precisamente para dentro da Associação uma Unidade do CODIN (embrião da atua SEBRAE).

Independente dos problemas do comércio e da indústria, a ACIAT precisa também preocupar-se com os agricultores e suas plantações. Afinal esta é uma das três colunas de sustentação da entidade. Como forma de incentivo, a Associação vislumbra uma vasta festividade, com exposições de produtos e premiações. A partir de um projeto da ACIAT em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura é criada, pela Prefeitura Municipal, a Feira do Produtor Rural de Teresópolis (FEPORT). 

Novos ventos continuavam a soprar para a Associação. Novos associados se vinculavam a entidade trazendo consigo muita vitalidade e empreendedorismo.

Nesta época, apesar de suas diversas e diferentes atuações, a ACIAT ainda vivia com parcos recursos.

Em 1992 era criado no município o movimento “Pró-Cidade”, que era formado por um grupo de ideias desenvolvimentistas. Este grupo se integrou aos demais membros da ACIAT e houve uma conjugação de pensamentos de uma nova reestruturação da instituição. Para isso as ações foram divididas em dois passos: Primeiro era preciso dar a entidade a auto-suficiência necessária pra que ela pudesse vislumbrar novos horizontes; o segundo, porém não menos importante, era fazer com que a ACIAT, de alguma forma, pudesse influenciar nas eleições.

Era Imperioso que se “arrumasse a casa”, mas para isso era vital a criação de um fundo de reservas. A entidade firma convênios que beneficiam as empresas associadas e possibilitam à Associação uma arrecadação maior e começa a prestar novos serviços, dando assim  um diferencial a ACIAT. Serviços como consultas de cheques e Serasa são implantados e, em pouco tempo, a receita já consente que a entidade realize novas campanhas. Essa estabilidade garante à entidade condições de outras ações em relação ao empresariado e ao município.

Se todos queriam o crescimento econômico, a diminuição do índice de desemprego e  que o povo tivesse representantes nas mais altas esferas políticas, era imprescindível o incentivo e a conscientização do voto nos candidatos da terra. Foi lançada as campanhas de conscientização por essa importância.

Esse período foi de grande importância para a ACIAT. Com recursos próprios e reserva de caixa a entidade alça novos rumos e destaca-se em diferentes aspectos, inclusive no que diz respeito às ações de cunho filantrópico.

GRANDES PARCERIAS DA ACIAT...

Uma forte parceria entre a ACIAT e o SEBRAE e a Prefeitura Municipal faz nascer na cidade dois grandes projetos que vão dar vida própria a ideias e ações empreendedoras: O “Projeto Empreender”, que se resume em um conjunto de ações, cujo objetivo é o desenvolvimento e fortalecimento das micro e pequenas empresas, através do associativismo. O objetivo maior desse projeto é contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico, principalmente na geração de emprego, ocupação e renda; e a “Incubadora de Empresas”, um ambiente especialmente planejado para acolher micro e pequenas empresas nascentes e em operação, que buscam a modernização de suas atividades, de forma a transformar ideias em produtos, processos e serviços.

Em 2004, depois de mais 50 anos de luta da ACIAT pela conquista desse objetivo, a entidade vê seu intento ser alcançado. É criada pelo Prefeito Roberto Petto a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio.

Os novos tempos dão às entidades locais a maturidade necessária para perceberem que não são concorrentes dentre si e sim  que buscam o mesmo resultado, apenas trilhando caminhos diferentes. Os laços entre a ACIAT, SEBRAE, CDL E SINCOMÉRCIO são fortalecidos e esta coadunação de ideias resulta na Primeira Feira de Promoções de Teresópolis.

FEPRO - DIVISOR DE ÁGUAS NA ASSOCIAÇÃO...

Até aquele momento os comerciantes tinham grandes dificuldades relacionadas aos estoques de produtos. Comprar menos poderia significar não poder atender aos clientes e as compras em excesso incorriam no grande risco de ficar com as mercadorias nas prateleiras e uma defasagem na receita. Com o advento da FEPRO tais problemas seriam solucionados e a população teria um maior poder de compra, uma vez que os descontos poderiam chegar ao patamar de 70%. Era venda certa e dinheiro em caixa.
Mas a população também participou dessa grande campanha social com a doação de alimentos, como forma de bilheteria.
Parte da renda auferida com a venda dos estandes, somada aos alimentos doados foram destinados às instituições beneficentes da cidade e novas parcerias foram feitas. Em conjunção com o Rotary Clube de Teresópolis a ACIAT  participou de ações efetivas junto a APAE-Teresópolis, implantando naquela Instituição o setor de Fisioterapia.

Ações de diferentes aspectos são desenvolvidas na cidade. A preocupação com o meio ambiente também é presente na entidade, que vê na natureza o princípio do resgata turístico. É criada então a Diretoria de Responsabilidade Social e de Meio Ambiente e os projetos se avolumam.

O projeto “Nosso Paquequer” dá início a uma série de outros projetos ambientais. Em parceria com a Associação de Moradores do bairro de Araras é feito o reflorestamento de cerca de 500 metros das margens do rio. Novos estudos são feitos e surge então o projeto piloto de um sistema biodigestor. Embora ainda em fase de pesquisa já se pode ter certeza de que o projeto virá, de maneira definitiva, contribuir com o meio ambiente.

Da mesma forma os novos projetos, discutidos e amplamente debatidos nos Workshops de “Liderança Cidadã”, darão continuidade ao espaço de reflexão sobre a importância da participação cidadã e sobre o papel fundamental da ACIAT no desenvolvimento sustentável de Teresópolis. De grande importância também são as trocas de ideias e experiências compartilhadas no “Café com Ideias”, visando o desenvolvimento das empresas de Teresópolis.

Sete décadas de história se completam. A partir de sua primeira administração a ACIAT tornou-se um centro de reflexão e estudo, como base de uma ação contínua e organizada. Em todos os momentos a história da Associação mescla-se à história da cidade, que tem na entidade um respaldo indubitável.

Está em construção uma nova visão empresarial, que percebe a cidade como um todo e a necessidade de uma realidade sustentável.
Mas esta é uma outra história...   

Texto: Rita Telles
Fonte: Revista da ACIAT 0 Dezembro 2007 - Ano 2 - Nº13.